A Viagem: O remake de 1994


Vinte anos após sua primeira exibição, o remake de ‘A Viagem’ está de volta. Versão de 1994 da trama homônima apresentada pela TV Tupi em 1975, também escrita por Ivani Ribeiro, foi sucesso de audiência na TV Globo na faixa das 19h. Dirigida por Wolf Maya, a produção destaca um tema até então não abordado pela emissora em seus folhetins: a vida após a morte, inspirada na doutrina de Allan Kardec, o kardecismo.
Antonio Fagundes, que interpreta o advogado Otávio Jordão, um dos protagonistas da trama, diz que esta foi a única novela em que o público torceu pela morte da ‘mocinha’. “Eles queriam que a Diná morresse para encontrar o Otávio no céu. Ela bateu o ibope da novela das oito da época. Era um grande sucesso”, lembra. Já Wolf, conta como convenceu Christiane Torloni, intérprete de Diná, a aceitar o convite: “Ela tinha perdido o filho, estava num momento delicado. Até menti. Disse: ‘tenho uma comédia pra gente fazer’. Sabia que ela ia topar e faria lindamente”. Para a atriz, o papel colaborou com sua recuperação. “Essa foi uma mentira que, talvez, tenha ajudado a salvar minha vida”.
O elenco conta ainda com atores como Maurício Mattar, Andréa Beltrão, Miguel Falabella, Lucinha Lins, Laura Cardoso, Claudio Cavalcanti e Fernanda Rodrigues. Guilherme Fontes ganhou destaque ao interpretar o usuário de drogas e álcool Alexandre. Ao tentar roubar o cofre do escritório onde trabalha para quitar uma dívida, ele é flagrado pelo tesoureiro da empresa, se assusta, e acaba matando o funcionário. Raul (Miguel Falabella), o irmão mais velho do vilão, e o cunhado, Téo (Maurício Mattar), decidem entregá-lo à polícia. Diná decide proteger Alexandre, recorrendo aos melhores profissionais para a defesa do irmão. Ele também conta com o apoio da mãe, dona Maroca (Yara Cortes) que, apesar de sofrer com as atitudes do filho caçula, deixa o coração falar mais alto. E sua namorada Lisa, vivida por Andréa Beltrão, resolve abandoná-lo, cansada do conturbado relacionamento.
Disposta a fazer tudo pelo irmão, Diná contrata o renomado advogado Otávio Jordão. Mas o profissional está revoltado e disposto a fazer de tudo para que Alexandre fique preso, já que a vítima do homicídio era seu melhor amigo. Condenado a vinte anos de cadeia, Alexandre encontra o suicídio como saída, prometendo vingança, seja nessa vida ou na outra. O personagem é encaminhado ao Vale dos Suicidas, onde se dedica a prejudicar a vida de Raul, Téo e Otávio.
O sucesso da produção ultrapassou a tela da televisão: a venda de livros sobre espiritismo aumentou em 50%, de acordo com pesquisas realizadas por livrarias especializadas durante a exibição da obra.

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