A Nobreza do Amor: A conexão Brasil-África

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A Nobreza do Amor: A conexão Brasil-África

Embora ‘A Nobreza do Amor’ seja ambientada na década de 1920, o enredo no universo africano se inicia aproximadamente duas décadas antes, quando Batanga estava sob domínio colonial português. A dominação europeia sobre Batanga, contudo, não conseguiu apagar a identidade do povo batangui, liderado por Lumumba (Welket Bungué), filho do rei Cayman I, cujo reinado foi interrompido após a invasão dos portugueses. A resistência batangui culminou na Guerra da Independência, na qual os guerreiros africanos conseguiram capturar a fortaleza dos colonizadores e derrotaram as forças militares de Portugal.

Herói da libertação, Lumumba foi coroado rei Cayman II, em cerimônia conduzida pelo conselheiro Chinua (Hilton Cobra), restaurando a dinastia de sua família. Sua esposa Niara (Erika Januza) tornou-se rainha, e Jendal (Lázaro Ramos), principal aliado do novo governante, ascendeu ao posto de primeiro-ministro.

A recém-conquistada liberdade reinaugurou tempos de paz e esperança em Batanga. A nova era no reino foi acompanhada de prosperidade, graças à concessão de exploração das minas de tungstênio à Inglaterra, em negociações mediadas por Jendal e mediante o pagamento, para a coroa, de royalties a serem revertidos para o bem-estar dos súditos. Nesse ambiente de otimismo e desenvolvimento, cresceu a filha do casal e única herdeira do trono, a princesa Alika (Duda Santos), treinada para ser uma rainha justa e compromissada com seu povo.

Tempo presente: a face do tirano

Em meio à tranquilidade, uma mensagem abala os alicerces de Batanga. Durante uma visita ao guardião do oráculo do reino, o respeitado ancião Oruka (Vado), a família real é surpreendida com uma previsão: o rei será traído, com consequências drásticas para a vida da rainha e da princesa, que só poderá ser salva por um homem de ascendência nobre e caráter irretocável.

Ambicioso e sedento por poder, Jendal pede a mão de Alika a Cayman, jurando protegê-la dos perigos anunciados. O rei, impactado pela premonição e crente na lealdade de seu primeiro-ministro, promete a filha, ainda bebê, ao vilão, como sua futura esposa. Mas o acordo não vinga: anos depois, a jovem princesa, que não enxerga os interesses de Batanga entre as prioridades do aliado de seu pai, rejeita se casar com ele. Preocupado com a felicidade da filha, Cayman volta atrás e comunica o trato desfeito a Jendal, que se toma de fúria e desejo de vingança.

Sua ira se intensifica com a chegada de Paxá Soliman (Marco Ricca) a Batanga. O turco, homem de negócios, está acompanhado pelo filho Omar (Rodrigo Simas), que se apaixona à primeira vista por Alika. Soliman firma um acordo de exploração de tungstênio com Cayman, ameaçando a aliança de Jendal com os ingleses, de quem o vilão recebia generosas propinas regulares. Sentindo-se humilhado, o primeiro-ministro renuncia ao cargo e deixa Batanga.

Porém, Jendal não demora a reaparecer diante dos portões do palácio, trazendo com ele a realização do que o oráculo previu. Apoiado pelos ingleses, o vilão derrota as tropas comandadas pelo chefe da guarda real, Dumi (Licínio Januário), derruba seu antigo aliado do trono e se autoproclama rei de Batanga. A primeira ordem é impiedosa: prender e matar Cayman, Niara e Alika.

Jendal, que será a personificação do mal ao longo da história, é o primeiro vilão na carreira de Lázaro Ramos na televisão. O ator conta como a potência da história o estimulou a participar do projeto: “O que me atraiu nesse projeto, primeiro, foi a possibilidade de fazer um vilão, que é uma coisa que eu não transitei ainda na carreira, principalmente em televisão. E uma coisa importante de contar: eu sou primo de Elísio, um dos autores. Li o texto e falei: ‘Que novela bonita, importante. Eu queria fazer’. Ele perguntou se eu não tinha outra coisa prevista, respondi que até tinha, mas que gostaria de participar desse momento, dessa história que vai ser contada. Foi um personagem desejado”.

Casamento e fuga

No dia da execução da família real deposta, o novo rei impõe um ultimato: caso Alika volte atrás e se case com ele, poupará as vidas dos prisioneiros. Para proteger seus pais, a princesa aceita a oferta do tirano. Com apoio de sua filha, Kênia (Nikolly Fernandes), uma jovem fútil e ambiciosa, Jendal organiza uma suntuosa cerimônia para celebrar a união, com a presença de convidados ilustres e nobres famílias da região e de outros reinos, incluindo os reis de Seráfia, Augusto (Carmo Dalla Vecchia) e Maria Cesária (Lucy Ramos), protagonistas da novela ‘Cordel Encantado’ (2011).

Os planos do vilão, no entanto, são frustrados por uma ação de Dumi (Licínio Januário) e Chinua (Hilton Cobra), que ajudam Omar (Rodrigo Simas) a fugir com Alika, Niara e Cayman em direção ao porto, onde o navio de Omar os aguarda. Durante a fuga, Cayman acaba morrendo, mas, antes de partir, suplica que a esposa e a filha busquem abrigo em terras brasileiras, onde vive seu irmão Zambi/José (Bukassa Kabengele). Com sua partida, a princesa e a rainha seguem para o Brasil, sob a promessa de limparem o nome do rei e voltarem a Batanga para reconquistar o trono.

Quando Jendal percebe a ação, ordena que suas tropas capturem os fugitivos. Na perseguição que se segue, Omar é ferido e preso pelos soldados, mas a princesa e a rainha conseguem embarcar no navio do jovem turco com ajuda de Dumi, que recebe de Alika a missão de liderar a resistência ao tirano Jendal. Conforme as areias de Batanga se distanciam no horizonte, a rainha e a princesa, com os corações pesados, navegam rumo ao Rio Grande do Norte, no Brasil.

Durante o exílio de Alika, Dumi, que simula fidelidade ao novo rei para se manter em uma posição estratégica, e Chinua (Hilton Cobra), que também segue no cargo após o golpe a fim de obter informações privilegiadas, passam a articular a derrubada de Jendal. Fora do palácio, no meio do povo batangui, seus principais aliados na luta para permitir a volta de Alika e Niara ao reino são os guerreiros Akin (André Luiz Miranda) e Ladisa (Rita Batista).

Author: Paulo Antônio
Brasileiro, 73 anos, Jornalista, Especialista em Administração, estudante de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e Blogueiro.